31 jul '17
O antídoto à adoração anêmica Por Albert Mohler Tradução: Marcelo Eugênio; Revisão: Michel Augusto – Exposição Bíblica Fonte: ligonier.org Nos últimos anos, cristãos  evangélicos tem prestado uma atenção [...]

O antídoto à adoração anêmica

Por Albert Mohler

Tradução: Marcelo Eugênio; Revisão: Michel Augusto – Exposição Bíblica

Fonte: ligonier.org

Nos últimos anos, cristãos  evangélicos tem prestado uma atenção especial à adoração, gerando um renascimento do pensamento e da conversação sobre o que é a adoração realmente e como deve ser feita. Ainda que este interesse renovado infelizmente tenha levado ao que alguns chamam de “guerras do louvor” em algumas igrejas, parece que o que A.W. Tozer uma vez chamou de “a jóia perdida” da adoração evangélica está sendo recuperada.

Não obstante, ainda que a maioria dos evangélicos concordassem rapidamente que a adoração é central à vida da igreja, não haveria consenso sobre uma pergunta inevitável: O que é central à adoração cristã? Historicamente, as igrejas mais litúrgicas tem argumentado que os sacramentos ou as ordenanças são o coração da adoração cristã. Estas igrejas afirmam que os elementos de Ceia do Senhor e a água do Batismo são as representações mais poderosas do Evangelho. Entre evangélicos, alguns veem o evangelismo como o centro da adoração e consequentemente planejam cada passo do culto – músicas, orações, sermões… tudo com o apelo evangelístico em mente.

Embora muitos evangélicos afirmem que a pregação da Palavra seja uma parte necessária e habitual da adoração, o modelo de prevalência da adoração em igrejas evangélicas é definido cada vez mais pela música, por inovações como apresentações dramáticas e vídeos. A pregação da palavra recua cada vez mais, enquanto uma legião de inovações divertidas tomará seu lugar.

As normas tradicionais da adoração agora se submetem a uma busca pela relevância e criatividade. A cultura da adoração centrada na Palavra, que deu origem às igrejas da reforma, agora é substituída por uma cultura dirigida pela mídia, pelo visual. Em certo sentido, esta cultura do evangelicalismo moderno é uma adoção das mesmas práticas rejeitadas pelos reformadores em sua busca pela a adoração bíblica verdadeira.

A música tem seu espaço na adoração evangélica e grande parte desta vem em forma de música contemporânea que é marcada por uma preciosa falta de conteúdo teológico. Além da popularidade das músicas contemporâneas de louvor, muitas igrejas evangélicas demonstram uma intensa preocupação em reproduzir apresentaçōes com qualidade de studio.

No que diz respeito ao estilo musical, as igrejas mais tradicionais possuem grandes corais – com orquestras – e talvez até cantem os tradicionais hinos da fé. Profissionais e um batalhão de voluntários passam grande parte da semana ensaiando e praticando.

Nada disso se perde na congregação. Alguns cristãos buscam igrejas que ofereçam estilo e experiências que satisfaçam suas expectativas. Cristãos insatisfeitos com o que e oferecido em uma igreja podem rapidamente mudar-se para outra, usando muitas vezes a linguagem de auto-expressão para explicar a nova igreja “preenche as nossas necessidades” ou “nos deixa adorar”.

No coração da reforma encontra-se uma preocupação pela verdadeira adoração bíblica. Mas nem Martinho Lutero, que compôs hinos e exigia que seus pregadores aprendessem música, não reconheceria esta preocupação com música acima de tudo, como legítima ou saudável. Porque? Porque os reformadores eram convictos de que o coração da verdadeira adoração bíblica é a pregação da Palavra de Deus.

Graças a Deus, o evangelismo de fato é presente na adoração cristã. Confrontados pelo evangelho e pregação da Palavra, pecadores são levados a Cristo pela fé e a oferta da salvação é estendida a todos. Da mesma sorte, a Santa Ceia e o Batismo são honrados como ordenanças do Senhor, e encontram lugar na verdadeira adoração. Mas a música não é o ato central da adoração cristã, nem o evangelismo e nem mesmo as ordenanças. O coração da adoração cristã é a autêntica pregação da Palavra de Deus.

A Pregação expositiva é central, irredutível e inegociável à missão bíblica da autêntica adoração que agrada a Deus. A centralidade da pregação é o tema dos dois testamentos nas Escrituras. Em Neemias 8:8, encontramos o povo exigindo que Esdras, o escriba, trouxesse o livro da Lei para a Assembleia. Este texto é uma sóbria acusação contra grande parte do cristianismo contemporâneo. Segundo este texto, a exigência pela pregação bíblica surgiu do coração do povo. Eles se congregaram e convocaram o pregador. Isso é reflexo de uma sede intensa pela pregação da Palavra de Deus. Qual é a evidencia de tal sede em meio aos evangélicos de hoje?

Em muitas de nossas igrejas, a Bíblia é quase muda. A leitura pública das escrituras tem sido abandonada em muitos cultos, o sermão jogado aos cantos, reduzido a um pequeno devocional agregado a música. Muitos pregadores aceitam isso como uma concessão necessária a era do entretenimento. Alguns ainda tem a esperança de incluir uma breve mensagem de encorajamento antes do final do culto.

A anemia da adoração evangélica –tirando toda a música e energia – é diretamente atribuível a ausência de uma pregação expositiva genuína. Tal pregação confrontaria a congregação com nada mais, nada menos do que a Palavra viva e eficaz de Deus. Este confronto moldará a congregação através do Espirito que acompanha a Sua Palavra, abre olhos, e aplica a Palavra aos corações humanos.

 

 

 

 

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