Por Michel Augusto 

A saga da manipulação religiosa e política se fundem numa harmonia perfeita. O neopentecostalismo é tão operante em sua ação megalomaníaca pelo poder, a ponto de denominações rivais levantarem candidatos para a ardilosa representação dos seus líderes na cidade.

A manipulação política brinca com o civilismo e a religiosa, com a fé. As duas estão andando de mãos dadas com o deus deste século.

Quando falamos de política e sua relação com a igreja, devemos fazer uma diferenciação entre as expectativas do Reino de Deus no Antigo e no Novo Testamento.

No Antigo Testamento, o entendimento de “reino de Deus (1) estava ligado à teocracia judaica e todos os ítens politicos a ela relacionados. No Novo Testamento, Deus fez um novo começo em Cristo. O Reino de Deus tem expectativa escatológica. Não existe mais uma teocracia, mas somente o domínio de Deus e a ideia de uma comunidade na qual o nome de Deus é consagrado e sua vontade é operada. Israel recusou-se a pensar em termos escatológicos e transcendentes”.

Se Jesus “tivesse oferecido um reino político (2) aos judeus no século I, isso iria diretamente contra a necessidade da morte sacrificial do Messias.”

A manipulação emburrece e empobrece a reflexão que precisamos ter da nossa existência civil e da nossa coexistência em Cristo Jesus.

Na narrativa do Evangelho de Marcos, Crossan (3) nos lembra que o “lugar de confronto não era de Jesus contra o judaismo, sacerdotes, sacrifícios ou a tomada de Roma. Não era o reinado de poder terreno, mas do estabelecimento do reino de Deus – presente e vindouro”. Cabe lembrar que Jesus não se submeteu como um ato político de heroísmo para atrair seguidores.

O reinado presente não é uma tomada de poder, mas a manifestação da obra de Cristo com vistas à expectativa do reino futuro.

Na teologia de João é explicito a relação do reino de Deus e o reino deste mundo. “Jo 18.36 ( 4)- Ao que lhe afirmou Jesus: “Meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas, agora, meu Reino não é daqui.”

Jesus ( 5) não queria e não era o rei dos judeus “no sentido de promover sedição contra Roma, como o acusaram os líderes judeus (Lc 23.2), mas era o rei dos Judeus no sentido messiânico ( Jo 12.3). Jesus é um rei, mas não estabelecerá o seu reino pela força”.

Por fim, o civilismo precisa ser exercido, assim como a fé, mas sem manipulação política e religiosa.


Bibliografia

1. FEINBERG, John S. Continuidade e descontinuidade. São Paulo: Hagnos, 2013.

2. JR, Walter Kaiser. Promessas espirituais e nacionais do reino. In: FEINBERG, John S. Continuidade e descontinuidade. São Paulo: Hagnos, 2013.

3. CROSSAN, John Dominique. A última semana de Cristo. São Paulo, Ediouro, 2010.

4. KING JAMES ( versão em português)

5. GENEBRA, (Comentário, P. 1236)

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