Como evitar sermões centrados no pregador?

Por Craig Brian Larson

Os pregadores conhecem a eficiência de usar histórias de sua própria experiência, por isso, franzi a testa e perguntei: “O que você quer dizer com ‘baratas’?”. Lee explicou que, com freqüência, usamos ilustrações pessoais porque as conseguimos facilmente.

Embora fáceis e próximas de casa, com freqüência, elas são histórias, metáforas ou exemplos fracos. Se outra pessoa tentasse citar nossas ilustrações pessoais, imediatamente perceberíamos como são mancas. Mesmo sabendo disso, pela ilustração ser imediata e concreta e de precisarmos de alguma coisa, nós a usamos, em vez de procurar algo melhor.

Desde aquele café da manhã, tenho pensado diversas vezes sobre o que Lee disse e percebi que, de fato, usei muitas vezes ilustrações pessoais baratas em meus sermões. Elas prendiam a atenção da congregação por causa do nosso relacionamento, mas não acrescentavam nada ao sermão, além de uma pausa para tomar fôlego.

Pensei em outra conversa que tive há alguns anos com outro pregador que. quando lhe perguntei onde ele encontrava boas ilustrações, disse-me: “Todas ai minhas ilustrações vêm da minha vida diária”. Isso pode até soar bonito — não estou advogando o uso de ilustrações “enlatadas” — mas há um perigo aqui. Depois de um tempo, isso não se torna uma visão muito estreita para a sua congregação? Os membros da congregação não se cansam de ouvir sobre o hobby dele, os filhos dele, os sentimentos dele? Depois de alguns meses ou anos, os ouvintes não revirarão os olhos diante da excessiva autobiografia até mesmo de alguém que eles amam tanto?

 E certo que ilustrações pessoais bem elaboradas são algumas das nossas melhores ilustrações, mas elas nunca conseguem satisfazer a maioria das nossas necessidades. Preciso usar ilustrações com base num mundo maior do que o meu. Os meus ouvintes não se conectam com tudo da minha vida. Eles também se conectam com o mundo penetrante da mídia e das experiências de outras pessoas. O que pode tornar uma ilustração “enlatada” — ineficiente — é a abordagem do ‘ copiar” e “colar”. Comunicadores hábeis sabem que só porque um sermão e uma ilustração são ambos sobre o amor, isso não quer dizer que a ilustração serve ao sermão. Quando você usar uma ilustração, sugiro que ponha na balança os seguintes fatores:

  • tom e associações
  • adequabilidade e relevância para a sua platéia
  • o propósito ao qual uma ilustração deve servir naquele ponto do sermão
  • se a ilustraçao se encaixa com quem você é

Também descobri que quando uso uma ilustração pré-fabricada, tenho de fazer o trabalho extra de me familiarizar o suficiente com ela a ponto de poder contá-la com autoridade e sinceridade. O ponto é, essas ilustrações geralmente exigem mais trabalho, não menos, mas valem a pena.

Bibliografia

LARSON, Craig Brian. Como evitar sermões centrados no pregador In: ROBINSON, Haddon; LARSON, Craig B. A arte e o ofício da pegação bíblica. Um manual abrangente para comunicadores da atualidade. São Paulo: Edições Shedd, 2009, p. 742

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