Agostinho e a relutância em estudar – Confissões

Agostinho

Neste período da infância cujo perigo temiam menos para mim do que o da adolescência, não gostava do estudo e tinha horror de ser por ele obrigado. Por meio desta coação, faziam-me um bem – embora eu procedesse mal -, pois não aprenderia se não fosse constrangido. Todavia, contra vontade, ninguém procede bem, ainda que a ação em si seja boa. Os que me obrigavam não agiam retamente. O bem que daí resultava vinha só de Vós, meu Deus. Nesses estudos a que me aplicavam não tinham outra finalidade senão saciar os insaciáveis desejos de opulenta miséria e de ignominiosa glória. Mas Vós, “para quem estão contados os nossos cabelos, utilizáveis em meu proveito o erro dos que me coagiam. Com relação a mim, que não queria aprender, utilizáveis a minha falta para me dardes o castigo com que eu, tão pequenino e já tão grande pecador, merecia ser punido.

 Era assim que Vós transformáveis em meu e o mal que eles faziam, e me dáveis justa retribuição pelos meus pecados. Com efeito, é vosso desígnio, e assim acontece que toda a alma desregrada seja para si mesma o seu castigo.

 

Bibliografia

AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Editora Vozes, 2015, p. 40

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