20 impressões sobre música em Lutero

Por Tiago Cavaco

Pregação e música cristã devem caminhar de mãos dadas. Um culto com duas linguagens diferentes não serve ao propósito bíblico da adoração. Quando falamos de musicalidade cristã, nos referimos à algo que a igreja brasileira sempre teve dificuldade de tratar em virtude da deficiência de ensino teológico musical. Aprende-se muito sobre técnica  musical e performance do que sobre fundamentos da música cristã para o culto. Tiago Cavaco fala de música cristã com propriedade e destaca, conforme a terceira dentada de Lutero alguns aspectos primordiais. Vejamos:

  1. A música na Idade Média era um reflexo de uma teologia inacessível ao povo, ou seja, tanto a pregação quanto a música não eram compreensíveis;
  2. A música antes da reforma era complicada, pois a teologia era complicada;
  3. O culto se torna descomplicado, tornando a música mais claro teologicamente;
  4. Com a reforma, a Bíblia vem para as mãos do povo e a pregação e a música se tornam acessíveis. Sendo assim, a música passa a ter a missão de explicar a Bíblia;
  5. A música é provavelmente o resultado mais prático e convincente de que o protestantismo tem razões para existir;
  6. A música é uma das expressões mais reveladoras da razão da reforma, isto é, na medida em que a Bíblia se torna aberta, a música se torna a forma de expressar isso;
  7. A música é uma simplificação da mensagem bíblica;
  8. O que está na mente tem de estar na melodia;
  9. Cantar era uma arma educativa;
  10. Se a adoração é a melhor educação, é normal que respondamos com a música;
  11. A música é o melhor consolo para a mente triste;
  12. A expressão musical era uma resposta àquilo que era recebido pela pregação da Palavra;
  13. A resposta que as pessoas dão à palavra é flagrantemente avaliada no que elas cantam;
  14. Se é esperado que se compreenda o que diz o pastor, é esperado que se compreenda o que diz o professor. Se é esperado que o pastor pregue, é esperado que o professor ensine. Há mais canto no protestantismo porque o canto é uma via de transmissão entre púlpito e escola;
  15. Quando o cristão canta, ele demonstra com simplicidade o que há de mais profundo na sua fé;
  16. O canto é uma resposta à palavra, ou seja, respondemos com nossas palavras o que a palavra provocou em nós;
  17. Quando adoramos, dizemos o que cremos;
  18. Quando cantamos, contamos a nossa história: Éramos cegos, e agora vemos; miseráveis, mas Cristo nos resgatou; morávamos no abismo e agora terei uma casa celeste;
  19. As letras mordem e deixam marcas naqueles que se expõem a elas;
  20. O barulho protestante vem da centralidade que é dada a Cristo. Com a Bíblia aberta, é difícil ter Jesus nublado; logo, existe uma multidão de sons para dar sequência a esse sentido cristológico de todas as coisas. A música é no protestantismo uma rendição a essa boca cósmica que nos engole e que é a salvação em Cristo revelado nas Escrituras.

Se algo precisa ser firmado na teologia de Lutero sobre musicalidade cristã é que música deve ser a Palavra cantada. Pedagogicamente, esse aspecto é um instrumento poderoso para sermos catequizados e glorificarmos o Senhor adequadamente conforme as Sagradas Escrituras.

CAVACO, Tiago. Cuidado com o Alemão. Três dentadas que Martinho Lutero dá à nossa época. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2017.

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