Princípios básicos para o uso do contexto histórico-cultural do Novo Testamento na pregação

Por Craig S. Keener

Adaptado por Michel Augusto

A pregação é um instrumento precioso do Senhor para chamar o seu povo e mantê-lo com edificação, exortação e consolo. Lemos o texto, explicamos e aplicamos. Na explicação e aplicação precisamos de elementos adicionais, tais como: teologia bíblica, sistemática, exegética e histórica. Timothy Wald (2) diz que “uma função fundamental da boa pregação expositiva consiste em explicar o significado e a força de uma passagem quando interpretada de modo adequado à luz de seus diferentes contextos: 1) Contexto literário imediato; 2) contexto dentro do desenrolar da história da revelação divina; e 3) o contexto da Bíblia em geral. Tal pregação, uma vez supõe que a doutrina da clareza das Escrituras se aplica à Escritura em geral e não a cada parágrafo”. Assim sendo, o teólogo Craig Kenner (1), outrora publicado pela Editora Atos, mas agora pela Vida Nova, traz contribuições riquíssimas para o expositor. Só precisamos tomar o devido cuidado para não desprezarmos a boa teologia bíblica e sistemática nesse processo, além de respeitarmos as tradições com suas abordagens em assuntos específicos. Vejamos:

  1. O contexto cultura estabelece, com efeito, significativa diferença na maneira como lemos o Novo Testamento;
  2. O contexto sócio-histórico-cultural dos testamentos ajuda o leitor a ler como os primeiros leitores leram;
  3. O que precisa ficar bem claro é que não se prestam a todas as circunstâncias. Para cada texto diferente da Bíblia há uma situação igualmente diferente;
  4. A questão mais importante, depois da aplicação do Espírito na sondagem de nosso próprio coração e de nossa própria vida, é sempre o contexto literário das Escrituras;
  5. Na pregação e ensino, devemos cuidar mais do contexto literário, sem desprezar o cultural;
  6. Aplicações específicas hão de diferir de cultura para cultura e de pessoa para pessoa;
  7. O pregador deve se atentar aos fatores culturais, pois tais não estão ao alcance dos ouvintes;
  8. A regra de ouro para a análise cultural é o estudo do contexto. É mais fundamental que a própria cultura;
  9. Os livros da Bíblia foram escritos visando alcançar diferentes grupos de leitores que também os lia um de cada vez e os aplicava a situações específicas;
  10. O escritor daquele tempo, assim como o pregador moderno, aplicava e atualizava a linguagem com frequência, sem perder de vista o verdadeiro sentido do texto, conforme atesta a organização do seu material.

A pregação requer do pregador que ele esteja atento às pontes necessárias entre o texto testamentário e os ouvintes contemporâneos. Os recursos acima expostos facilitará a vida da igreja na sua jornada no mundo de Deus e sua missão.

 

 

Bibliografia

 

  • KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos Novo Testamento. Belo Horizonte, MG: Editora Atos, 2004.
  • WALD, Timothy. Teologia da Revelação. Editora Vida Nova, 2017.

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