RESENHA CRÍTICA DO LIVRO “A ARTE EXPOSITIVA DE JOÃO CALVINO”, DE STEVEN J. LAWSON

RESENHA CRÍTICA DO LIVRO “A ARTE EXPOSITIVA DE JOÃO CALVINO”, DE STEVEN J. LAWSON, EDITORA FIEL

Por Luciano Paes Landim[1]

LAWSON, Steven J. A Arte Expositiva de João Calvino. 1ª Edição. São José dos campos: Editora Fiel, 2008. 144 pp.

Steven J. Lawson é pastor da Christ Fellowship Baptist Church em Mobile, Alabama; membro do conselho de diretores do Master’s College and Seminary; membro do conselho ministerial do Reformed Theological Seminary; professor do Expositor’s Institute. É autor de 14 livros, incluindo “As firmes Resoluções de Jonathan Edwards” (Editora Fiel). É casado com Anne, têm quatro filhos: Andrew, James, Grace Anne e John.

 Steven J. Lawson retrata a pregação expositiva desenvolvida pelo sistematizador da Reforma Protestante, João Calvino, durante seu ministério como um pastor fiel. Por meio de uma abordagem leal e envolvente, Lawson aborda a pregação abalizada nas Escrituras, tendo Cristo como o centro, transformadora e aplicativa.

  A obra de Lawson é dividida em oito capítulos incluindo um prefácio e dois apêndices. Uma nota interessante de observação aqui é que cada capítulo é subdivido de maneira que cada subdivisão é uma característica da pregação expositiva de João Calvino.

Em seu prefácio, Lawson mostra que ir ao púlpito é pisar em terra santa, mostrando que ter diante de si uma Bíblia aberta exige não tratar as coisas sagradas com irreflexão. Denuncia a substituição da exposição bíblica por entretenimento, espetáculos teatrais, obras dramáticas e manifestações artísticas.

Daí por diante, o autor, discorre sobre as marcas da pregação expositiva de João Calvino, que são enumeradas no total de trinta e duas.

Introduzindo então o primeiro capítulo, Lawson exibe a vida e o legado de Calvino, mostrando que o reformador da segunda geração não tinha outra arma senão a Bíblia, apontando seus sermões como essenciais para a transformação da cidade de Genebra. Calvino era principalmente um pregador, um expositor fiel da Bíblia, fazendo da exposição bíblica seu compromisso para toda a vida, sua tarefa mais importante.

No segundo capítulo, o autor traz os valores essenciais da pregação de Calvino, mostrando que o ministério do mesmo era governado pelo entendimento que ele tinha das Escrituras, pelo lugar que ele concede à pregação e pela sua concepção de como esta deve ser conduzida. Para o autor, a autoridade bíblica (inspiração, inerrância, infalibilidade e suficiência bíblicas), a presença divina (a manifestação de Deus onde a Palavra é pregada fielmente), a prioridade da pregação (nada deve tirar a Bíblia do lugar mais importante no ajuntamento público – o púlpito), a pregação expositiva sequencial (estilo verso-a-verso) evidenciam a visão elevada da pregação na perspectiva de Calvino.

Partindo para o terceiro capítulo, Lawson comenta sobre a preparação do pregador Calvino, mostrando que o sermão é uma expansão da vida do pregador, por isso que o homem de Deus deve se preparar bem.  Para isso, ele utilizou três características do zelo pela glória de Deus na perspectiva de Calvino: o zelo da mente (toda preparação para pregar começa com a mente), a devoção do coração (o sucesso do pregador depende da profundidade de sua santidade) e uma decisão resoluta (dedicação persistente).

No quarto capítulo, o autor mostra como Calvino iniciava o sermão, isto é, como ele criava uma ponte para o texto. Através de quatro características, Lawson expõe a introdução do sermão de Calvino: direto no assunto (introdução curta), pregação sem esboço (mas, não sem preparação), contexto bíblico (rapidamente demonstrava o contexto da passagem em que pregaria), tema declarado (uma proposição).

O capítulo cinco mostra como Calvino explicava de maneira apropriada a passagem bíblica em questão. O autor vale-se de seis características dos sermões de Calvino: um texto específico (a quantidade de versículos dependia do gênero literário do texto), exatidão exegética (cada passagem bíblica deve ser considerada dentro do seu contexto histórico e de sua estrutura gramatical), interpretação literal (o verdadeiro significado das Escrituras é aquele que é natural e óbvio), referências cruzadas (citação moderada de outras passagens bíblicas), raciocínio persuasivo (estabelecimento da verdade com a finalidade de convencer) e conclusões racionais (a dedução do significado de uma passagem bíblica).

  No sexto capítulo, buscando encorajar todos os que pregam a Palavra, Lawson mostra oito características da fala ousada de Calvino, isto é, a linguagem sermonária do reformador: palavras familiares (linguagem compreensível e simples no púlpito), expressões cheias de vida (objetivando instigar a imaginação dos ouvintes), paráfrases (repetição de versos usando palavras alternativas, sinônimas), número limitado de citações (Calvino usava poucas citações de outros autores, pois seu objetivo era deixar a ênfase no autor inspirado), esboço implícito (não usava esboço homilético, porém, havia uma clara estrutura de pensamento do sermão), transições diretas (mudança moderada quando prosseguia de um pensamento principal para o próximo) e intensidade centrada (entusiasmo e afeição empolgantes na proclamação da mensagem).

O penúltimo capítulo, o sétimo, mostra como Calvino aplicava as verdades bíblicas: encorajando, motivando, repreendendo, reprovando, corrigindo, consolando e desafiando.  Segundo Lawson, as aplicações de Calvino eram exortações amorosas, convites para exame próprio conforme a verdade bíblica exposta, admoestações afetuosas e confrontos apologéticos.

No último capítulo, o autor apresenta como era a conclusão da pregação de Calvino: um resumo de reafirmação do assunto principal exposto, apelo urgente (chamando os ouvintes a uma resposta humilde diante do que foi exposto), intercessão final (o sermão era concluído com uma oração).

Na conclusão, Lawson afirma que não existem remédios novos para problemas velhos. Desafia o leitor a retornar aos caminhos antigos, isto é, lutar pela recuperação da centralidade da exposição bíblica, que glorifica a Deus, cristocêntrica e cheia da vida do Espírito Santo. Lawson apela por uma geração de pregadores da mesma estirpe de Calvino.

No Apêndice A é apresentada a distribuição de versículos feita por João Calvino para suas séries de sermões em 2 Samuel (43 sermões), Miqueias (28 sermões) e Efésios (48 sermões). E no Apêndice B há um esboço implícito da pregação de João Calvino em Jó 21.13-15.

De maneira clara, direta e fiel, Lawson mostra a arte expositiva de João Calvino. A obra foi bem estruturada e subdividida para facilitar o entendimento do leitor. Por intermédio das 32 características da pregação de Calvino, organizadas nos oitos capítulos da obra, o autor faz um apelo à geração atual para que se sagre à pregação expositiva das Escrituras, tendo Calvino como exemplo. O desafio deixado por Lawson é para que os púlpitos hodiernos sejam firmados na Palavra.   Verdadeiramente, o autor do livro cumpriu o que propôs a fazer.

[1] O autor é discente do Curso de Especialização em Pregação Expositiva do Centro de Pós-Graduação Russell Shedd da FTRB (Faculdade Teológica Reformada de Brasília).

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