22 maio '15
Por Hans Ulrich Reifler A Palavra de Deus é a fonte singular para a pregação bíblica. A prédica evangélica alimenta-se, [...]

Por Hans Ulrich Reifler

A Palavra de Deus é a fonte singular para a pregação bíblica. A prédica evangélica alimenta-se, baseia-se, origina-se, inspira-se e motiva-se na Palavra de Deus, porque ela é o grande e inexorável reservatório da verdade cristã. C. W. Koller, op. cit., p. 41. Deus fala através da Bíblia. Ela é o instrumento único e infalível pelo qual Deus revela Sua vontade: Lâmpada para os meus pés… e luz para os meus caminhos (Sl 119.105). Portanto, para o pregador do evangelho, não há nenhum motivo pelo qual deva desviar-se da Palavra de Deus. O pregador é o profeta divino que anuncia a mensagem de Deus para sua geração. Quando o povo vai à igreja, deseja ouvir a Palavra de Deus interpretada com fidelidade e relevância quanto às necessidades atuais.

A Bíblia é um livro de variedade literária singular. Nela se encontra uma verdadeira biblioteca, com 66 livros contendo leis, histórias, poesias, profecias, literatura de sabedoria, narrativas, alegorias, parábolas, textos apocalípticos, biografias, crônicas, dramas, enigmas, visões, mensagens, cânticos, conversas, cartas, ensinamentos, orações, exclamações, interrogações, disputas, discursos e até convenções.

Tudo isso oferece material suficiente para a pregação bíblica em qualquer circunstância ministerial ou eclesiástica.

A Bíblia em seu significado fundamental. Quando baseada na revelação da Palavra de Deus, nossa pregação tem um significado salvador. A pregação é a proclamação das boas novas das Escrituras Sagradas. Como a revelação especial de Deus é a Palavra de Deus, a pregação deve originar-se, basear-se e motivar-se na Palavra de Deus.

Precisamos ser lembrados e conscientizados de que todo nosso conhecimento da verdade encontra-se na Palavra reveladora de Deus, não em nós. O homem natural não entende nada de Deus (1 Co 2.14), mas o homem salvo leva cativos seu conhecimento, pensamento e inteligência à obediência de Cristo (2 Co 10.5). O centro da Bíblia é a revelação de Jesus Cristo. Toda revelação bíblica culmina em Jesus Cristo. Em Seu falar e agir, em Seu sofrimento e em Sua morte e ressurreição nEle foi revelada a vontade salvadora de Deus.

No fato de Deus ter revelado Sua vontade salvadora em Seu Filho, Jesus Cristo, está dado o conteúdo primordial de nossa pregação. O apóstolo Paulo descreveu este princípio homilético com as seguintes palavras: Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado (1 Co 2.2). Por isso, nosso centro e alvo da pregação do evangelho é Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente (Hb 13.8; ARC).

Agora, fica evidente por que nem todas as passagens bíblicas são igualmente recomendáveis para a escolha de uma mensagem. De seu centro, do próprio Senhor Jesus Cristo, é-nos dada a prioridade dos livros bíblicos para nossa pregação. Não estamos dizendo com isso que existam partes mais ou menos importantes dentro das Escrituras Sagradas ou que algumas passagens sejam mais valiosas do que outras. Queremos apenas indicar que nem todas as passagens são adequadas para um culto evangelístico ou, por exemplo, para o Natal, a Semana da Pátria, o aniversário da igreja, um casamento ou um culto fúnebre.

A seguir, apresentamos algumas referências bíblicas. Verifique para que ocasiões seriam apropriadas: Ne 9.22-25; 2 Sm 1.19-27; Js 24.16-28, 31; At 2; Lc 2; Jó 19; Hb 1.1-3; Rm 8.39; 1 Pe 2.13-17; Tg 3.13-18; Ne 6.9; 2 Cr 6.4-10; 2 Rs 5.1-15; 1 Rs 11.1-8; Js 8.30-35; Gn 12.1-9; Jo 1.12; 2 Co 5.17-21; Sl 23; Jo 3.1-6; Jo 3.7-13; Jo 3.14-15; Jo 3.16; 17.8-16; 2 Rs 6.8-23; 14.

Nem sempre a pregação evangélica pode apresentar toda a história da salvação. Ela se fundamenta praticamente em um texto básico, numa parte pequena, em comparação com tudo o que Deus revelou no restante da Bíblia. Mas esse texto breve é estudado, interpretado e comunicado no contexto bíblico e em harmonia com a Palavra de Deus, em sua totalidade.

Assim, nossa pregação deve ser textual (i. e., fiel ao texto pelo qual optamos), escriturística (i. e., bíblica, em seu contexto doutrinário e ético), cristológica (i. e., em seu conteúdo principal) e prática (i. e., em sua aplicação às necessidades reais de nossas igrejas).

A escolha do texto do sermão. Quando falamos do texto do sermão, referimo-nos a uma parte específica das Escrituras Sagradas, que desejamos estudar para depois expô-la a nossos ouvintes. O texto do sermão pode ser apenas uma palavra, ou então uma frase, um pensamento, um versículo, alguns versículos interligados ou consecutivos, um salmo, uma ilustração, um ou mais capítulos inteiros das Escrituras Sagradas, ou ainda um personagem.

Para um pregador iniciante, a escolha do texto do sermão pode tornar-se um verdadeiro pesadelo, algo absolutamente desnecessário. O texto é-nos dado nas Escrituras Sagradas. Como testemunhas e arautos de Cristo, fomos incumbidos de anunciar o evangelho do reino de Deus. Como ministros e embaixadores de Cristo, exortamos os ouvintes a se reconciliarem com Deus (2 Co 5.20).

Todavia, precisamos reconhecer que dependemos do Espírito Santo na escolha do texto. Não podemos selecionar a passagem sozinhos ou sem recorrer à obra do mestre. Por isso, a oração é indispensável. Se escolhêssemos sozinhos um texto bíblico, estaríamos correndo o risco de nos limitarmos a nossos assuntos ou passagens preferidas. Mas, para a escolha do texto propício, além da oração pessoal e da direção do Espírito Santo, temos o auxílio de: textos apropriados para a época eclesiástica (Advento, Natal, fim de ano, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, aniversário da igreja, campanha evangelística, dia de missões); as senhas diárias dos irmãos morávios (Editora Sinodal); a exposição de livros inteiros da Bíblia; a meditação sobre biografias bíblicas; as mensagens acerca de temas doutrinários ou éticos da Bíblia; as devoções particulares; o serviço e o aconselhamento pastoral; uma situação crítica na igreja; algum livro teológico que estudamos; temas específicos relacionados às necessidades da igreja; e o calendário anual de pregação.

Vale a pena observar também as seguintes regras práticas na escolha de seu texto:

  1. escolha-o com, pelo menos, uma semana de antecedência;
  2. evite optar por textos difíceis, polêmicos ou de linguagem pomposa e extravagante;
  3. não se limite apenas ao Novo Testamento, como faz a maioria dos pregadores;
  4. varie os livros bíblicos, a fim de não negligenciar nenhum dos 66; e
  5. uma vez escolhido o texto, não mude mais, a não ser que o Espírito Santo assim indique claramente.

A seguir, apresento quatro exemplos com os quais você poderá colocar em prática algum dos auxílios e regras mencionados acima:

Caso 1: Sua igreja passa por um período de crescimento numérico notável. Muitas pessoas são recém-convertidas, mas nem todas romperam com as práticas pecaminosas da vida anterior. Quais textos seriam apropriados para melhorar a situação?

Caso 2: O Natal se aproxima e você não deseja pregar novamente sobre Lucas 2. Quais as alternativas que lhe restam para a escolha de tal mensagem?

Caso 3: Você nota um desinteresse geral em sua congregação quanto à freqüência regular nos cultos semanais de estudo bíblico. O que você pode fazer para estimular a igreja a participar do estudo bíblico?

Caso 4: Você está expondo o livro de Neemias e terminou no domingo passado o capítulo 2. Como você vai definir a extensão de seus textos para o restante dos capítulos nas próximas semanas?

REIFLER, Han Ulrick. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008, p. 15.

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