20 jul '17
Por Roland H. Bainton Adaptado por Michel Augusto[1]  Quando falamos em liturgia, música e pregação, nos referimos à fatores que [...]

Por Roland H. Bainton

Adaptado por Michel Augusto[1] 

Quando falamos em liturgia, música e pregação, nos referimos à fatores que são categorizados como algo de pouca importância no contexto da igreja contemporânea. O motivo da reforma tem como principal material a doutrina da justificação pela fé, sem referencia à obras e o princípio formal Sola Scriptura, que é a base do culto público. Nos reportando à obra de Roland H. Bainton e sua biografia sobre o Reformador Lutero, aprendemos que:

  1. Quanto à liturgia. “A adoração pública é um meio de instrução (…). Após a reforma, o tom do culto foi inteiramente modificado em dois aspectos: havia mais Escrituras e mais instruções (…). A igreja assim se tornava não apenas uma casa de oração e louvor, mas também uma sala de aula”.
  2. Quanto à música. É um dom belo e agradável de Deus que me tem frequentemente despertado e inspirado para a alegria de pregar. De nada me servem pessoas ranzinzas que desprezam a música, pois ela é um dom de Deus(…). Não há nada na terra que não possua seu tom (…). “A música deve louvada, ficando atrás apenas da Palavra de Deus, pois por ela todas as emoções são dominadas (…). O próprio Espírito Santo faz homenagem à música quando registra que o espírito mau de Saul era exorcizado quando Davi tocava sua harpa. Os pais da igreja sempre desejavam que a música nela habitava. É por isso que há tantos cântico e salmos. Esse dom precioso foi concedido somente aos homens, para lembra-los de que foram criados para louvar a engrandecer o Senhor[2]“.
  3. Quanto à Palavra. A Reforma colocou o sermão em uma posição de centralidade. O púlpito estava acima do altar, pois Lutero sustentava que a salvação ocorria por meio da Palavra. Sem a Palavra, os elementos eram destituídos de qualquer qualidade sacramental; entretanto, a Palavra é estéril, a menos que seja proferida. Tudo isso não significa que a Reforma tenha inventado a pregação. No século que antecedeu Lutero, somente na província de Vestfália, foram impressos de mil sermões e, apesar de serem produzidos exclusivamente em latim, eram pregados em alemão. Mas a Reforma de fato enalteceu o sermão (…). Os reformadores em Wittemberg empreenderam uma extensa campanha de educação religiosa por meio de sermões.

O Sola Scriptura, como princípio formal da Reforma, regula o culto em todas as suas dimensões. O drama da redenção é vivenciado pelo processo litúrgico com a indispensável pregação e música como elemento pedagógico da Palavra. “A tarefa do ministro é expor a Palavra, que é a única fonte de cura para as dores da vida e de bálsamo da eterna bem-aventurança[3]”.

Notas bibliográficas

BAINTON, Roland H. Cativo à Palavra. A vida de Martinho Lutero. São Paulo: Editora Vida Nova, 2017.

[1] Adaptado por Michel Augusto. Doutorando em Teologia Pastoral (EST) – bolsista da Capes. Mestre em Teologia (Musicalidade, Espiritualidade e Mídia) – EST. Bacharel em Direito e Teologia. É professor de Teologia Pastoral na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Pastoreia a Igreja Batista Reformada Deus é Luz. Membro da Ordem de Ministros Batistas Nacionais/DF e OAB/DF. Áreas de pesquisa acadêmica: Pregação; Teologia da Musicalidade e Espiritualidade.

[2] Prefácio da obra musical de 1538.

[3] TR, 272

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