24 mar '16
Por Guy A. Davis Como pastor, vejo-me com a obrigação de desempenhar vários papéis. Sou pregador, conselheiro, líder da igreja, [...]

Por Guy A. Davis

Como pastor, vejo-me com a obrigação de desempenhar vários papéis. Sou pregador, conselheiro, líder da igreja, coordenador de reuniões e assim por diante. Com muitas tarefas exigindo meu tempo, manter minha leitura teológica em dia talvez nem sempre se apresente como uma prioridade. Sem teologia meu ministério seria quase a mesma coisa que administração empresarial ou trabalho social. Por isso, preciso almejar ser um teólogo público pelo bem do povo de Deus.

 

A pregação deve ser teologia em chamas. Por maior que seja a sua capacidade de dramatizar no púlpito, isso não contribuiria para despertar o interesse em algumas de suas obras de teologia sistemática. Então, precisamos repensar a relação entre teologia e pregação. A proposta de Vanhoozer é que a melhor maneira de visualizar a teologia é como um teodrama: “O evangelho é teodramático – uma série de entradas e saídas de cenas divinas, especialmente porque essas entradas e saídas de cena dizem respeito ao que Deus fez por nós em Jesus Cristo. Dessa maneira, o evangelho – tanto o evento de Cristo quanto o cânon que o comunica – surge em cena como o momento culminante na economia trinitária da ação divina autocomunicadora. A teologia reage e corresponde à palavra e à ação prévia de Deus; por isso, a própria teologia faz parte da ação teodramática”.

Uma abordagem teodramática da pregação reconhece que a Bíblia nos apresenta atos de fala de Deus imbuídos de autoridade. Fazemos as coisas por meio do discurso. As palavras de Deus nas Escrituras são as locuções bíblicas. A pregação teodramática valoriza tanto os indicativos quanto os imperativos do Evangelho.

O ato de proclamar a Palavra tem de ser teodramático. Quando prego, meu objetivo não é simplesmente dar instruções doutrinárias à congregação a que sirvo, mas também permitir que o povo de Deus compreenda e sinta a verdade das Escrituras a fim de praticá-la.

Na condição de pregador teodramático, desejo me tornar um pastor-teólogo para o bem do povo de Deus. Quando a teologia se torna um “bem público” em nossa pregação, o povo de Deus, a quem fomos chamados a servir, é orientado a desempenhar seu papel no grande drama da graça redentora de Deus. Temos desfrutado do privilégio de testemunhar a ação comunicadora de Deus em operação entre nós, de forma lenta, mas certa, tornando-nos mais semelhantes a Cristo mediante a presença do seu Espírito em nosso meio. Esse é o drama da pregação.

Bibliografia

DAVIES, GUY A. Pespectivas pastorais, O drama da pregação. In: VANHOOZER, Kevin; STRACHAN, Owen. O pastor como teólogo público. Recuperando uma visao perdida. São Paulo: Editora Vida Nova, 2016, p. 227-230

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