08 jul '15
O pensamento de Agostinho sobre a mentoria espiritual Por Edward L. Smither Os líderes cristãos do século XXI deveriam considerar [...]

O pensamento de Agostinho sobre a mentoria espiritual

Por Edward L. Smither

Os líderes cristãos do século XXI deveriam considerar seriamente os pensamentos de Agostinho sobre o trabalho mentorial em um comunidade trinitária de amigos cristãos. As pessoas do mundo ocidental, em grande parte, vivem correndo para realizar mais e mais, e para atulhar de itens as suas agendas, os seus planos de ação. Essa corrida, somada à rapidez do aumento da tecnologia, tende a esmagar as relações humanas.

A igreja, particularmente a representada pelos protestantes evangélicos bíblicos, parece estar em uma corrida parecida; e os ministérios de discipulado, ainda que bem programados e eficientes, muitas vezes são inteiramente carentes da noção de Agostinho sobre comunidade. Se bem que o seu monasticismo não deva, necessariamente, ser imposto à igreja moderna, a igreja se beneficiaria se fosse mais devagar e desse mais ênfase às relações de qualidade nas quais houvesse profundidade espiritual.

Seria radical demais sugerir que os mentores e os discípulos compartilhassem as refeições, sem pressa, e conversassem a respeito de suas vidas espirituais? Poderiam dois colegas desligar seus telefones celulares e conversarem sobre assuntos teológicos enquanto tomassem café? Que dizer sobre fazer uma pausa, nalgum ponto do dia, e orar com um companheiro discípulo?

No contexto do “fardo” do ministério, Agostinho, como Valério, tinha consciência dos seus defeitos ou lacunas, mas se entregou à obra de colocar líderes capazes naquilo em que era fraco. Ele envolvia deliberadamente homens no ministério em nível cada vez mais difícil, e alegremente os liberava para realizarem seus próprios ministérios. Será que os líderes da igreja atual examinam intencionalmente a liderança potencial a seu redor e buscam pessoas capazes de deixa-los na sombra? Reconhecem potencial em outros e se animam a avançar com fé, a despeito da hesitação deles? Confiarão eles, alegremente, a outros alguma responsabilidade no ministério, ou a reterão possessivamente, acreditando que são os únicos que podem ter essa responsabilidade?

Quando Agostinho escrevia cartas mentoriais e visitavas amigos, deliberadamente mantinha contato com eles. Como ministrar incentivo era um valor essencial em sua abordagem mentorial, esta não ocorria sem comunicação verbal. Hoje em dia é raro alguém colocar a caneta no papel, mas os líderes espirituais bem que poderiam seguir o exemplo de Agostinho com e-mail, viva voz ou enviando mensagens de texto. Ou poderiam investir tempo em comunicar incentivo pelo telefone ou pelo telefone ou por visitas pessoais. Uma vez que a igreja é uma corporação de pessoas, essa valorização agostiniana da amizade e da comunidade, deveria constituir a prioridade, acima de todos os outros trabalhos.

Bibliografia

SMITHER, Edward L. Agostinho como mentor. Um modelo para preparação de líderes. São Paulo: Editora Hagnos, 2012, p. 311.

Comente 

Mais comentadas

To use reCAPTCHA you must get an API key from https://www.google.com/recaptcha/admin/create