23 mar '16
Por Michel Augusto Quando falamos em pregação, entramos num terreno fértil, pois nos deparamos com inúmeras formas de transmissão do [...]

Por Michel Augusto

Quando falamos em pregação, entramos num terreno fértil, pois nos deparamos com inúmeras formas de transmissão do conteúdo bíblico. O maior problema não é o estilo pessoal do pregador, mas a substituição do conteúdo bíblico por frases de efeito, isto é, os conhecidos “clichês”. Assim sendo, enumero alguns óbices quanto à performance “clichezada”. Senão, vejamos:

  1. A tentação do pregador. Começa no ato da preparação do sermão. No culto anterior, os tapinhas nas costas quanto à performance no púlpito o encheram de orgulho. Ao preparar o sermão, ele se sente tentado a produzir frases que arranquem aplausos novamente;
  1. O poder da sedução. A posição do professor, ministro religioso ou palestrante é carregada de sedução. Essa magia envolve tanto o pregador como o público. De um lado, quem fala fica ansioso para ouvir os aplausos e quem ouve, de ser encantado com palavras. Sendo assim, o pregador do evangelho deve ter em mente e no coração que o objetivo da pregação não é o produzir “fetiches” e sim, de anunciar a vontade de Deus para o povo;
  1. A substituição do conteúdo pelos “clichês”. Para a transmissão de conteúdo é necessário que haja dependência do poder do Espírito Santo, dedicação aos estudos da bíblia, teologia e contextualização de questões contemporâneas da vida. Leitura com devoção é um dos fatores determinantes para uma boa exposição do evangelho. Pregadores que usam o mesmo sermão em diversas ocasiões, corre o risco de paralisar a produção, pesquisa, estudos e acaba transformando a prédica em exposição de clichês;
  1. O que os “clichês” podem causar no público? Podem causar um distanciamento pelo conteúdo do Evangelho. Os ouvidos são acostumados com palavras encantadoras e depois de um tempo, o Evangelho dará comichão nos ouvidos, se tornando insuportável ou pesado demais. A pregação bíblica pode se tornará um fardo para os ouvidos fantasiados de palavras arrepiadoras.

Assim, a boa exposição é uma urgência no meio protestante. Para alguns, pregar expositivamente é um exagero, mas para quem ama o Evangelho, é relevância em tempos de auto-ajuda, confissão positiva e “coaching evangélico”. Paulo é enfático ao dizer que somos embaixadores de Cristo ( 2 Co 5.20). Como tais, expomos o “assim diz o Rei” e nada mais.

Michel Augusto é doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista Capes. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico.  Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Pastores Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática ( homilética – sermão expositivo ), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

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