08 set '17
Primeiro, é importante ter em mente as doutrinas de Calvino sobre a acomodação de Deus para nós, não só para [...]

Primeiro, é importante ter em mente as doutrinas de Calvino sobre a acomodação de Deus para nós, não só para a humanidade em geral mas também a uma congregação específica. Falar sobre a acomodação de Deus significa dizer que ele prove para a congregação não só a Bíblia mas também o pregador que irá acomodar a mensagem da Bíblia para necessidades de seus membros e aplicar diretamente para eles. Consequentemente, o estilo de Calvino e a sua forma da pregação pode não ser apropriado para outra congregação. Ele distingue claramente entre seus comentários e as Institutas que são de alcance universal e seus sermões, que se revestem de particular importância para a sua própria congregação. Seria um grande erro para nós repetir o estilo, forma ou conteúdo da pregação de Calvino em nossas próprias congregações.

Em segundo lugar, Calvino tem um forte senso de que a Bíblia é Deus falando conosco, que ele muitas vezes não parece distinguir entre os ouvintes originais e os da atualidade. Em outras palavras, ele trata a Bíblia como Palavra de Deus diretamente para nós sem levar em conta o seu contexto histórico. Talvez Calvino seja mais susceptível a cometer este erro ao pregar sobre epístolas do Novo Testamento que são mais facilmente aplicadas diretamente a nós. Certamente, nos seus sermões no antigo Testamento ele é mais consciente da distância entre os ouvintes originais e a presente audiência. Por exemplo, nos seu sermões em 2 Samuel ele distingue claramente entre o texto e o que ele chama de “colher o alimento do texto”.

Em terceiro lugar, o estilo de aplicação de Calvino é a utilização de “nós” em vez de “você”. Pode ser que este estilo tenha sido adequado à sua congregação. Me parece apropriado para nós hoje em dia usar um linguajar que inclua “nós” e “você”. O “nós” comunica que a mensagem da Bíblia é tanto para o pregador quanto para congregação e que todos nós estamos sob o juízo de Deus e a sua misericórdia, sendo todos abordados pelas palavras de Deus através da Bíblia. Quando usamos “você”, torna-se claro que o pregador está falando em nome de Deus e se dirige a congregação com as palavras de Deus.

Em quarto lugar, os sermões de Calvino têm comumente a mesma duração ; ele costumava pregar por quarenta minutos. Presume-se que tal duração se encaixe na convicção de Calvino sobre a capacidade da congregação para ouvir e não seja um requisito obrigatório para todos os pregadores e todas as congregações.

Em quinto lugar, o apelo emocional de Calvino é restrito. Quando ele fala sobre a pregação e o trabalho de um pregador, ele usa uma linguagem de extravagância e parece dar grande valor a uma forte conexão emocional com a congregação, mas na sua própria pregação não se encontra facilmente um tom emocional elevado. Talvez isto seja mais uma acomodação de Calvino para a congregação mixta a quem ele pregava.

O nosso tema neste capítulo foi o propósito da pregação. Defendí que como pregadores devemos servir a Deus e a Cristo, servindo a Palavra de Deus e o povo de Deus. Calvino demonstrou a prioridade deste serviço, do ministério, tanto em sua teologia quanto na prática de pregação. A sua teologia quanto a Deus acomodar a sua fala para nós, nas Escrituras, pelos pregadores a quem ele nos envia e pelo Seu Espírito Santo, nos dá uma robusta, positiva e desafiadora teologia a respeito da tarefa do pregador. Em alguns exemplos da pregação de Calvino vimos como ele põe em prática a sua própria teologia da pregação, acomodando a si mesmo com integridade, compreensão e compaixão de sua própria congregação.

 

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